AMIGA COZINHA

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canja

Existem comidas milagrosas, sim, e a canja de galinha

é uma delas. A melhor que tomei na vida foi em

Minas, num hotel de Cambuquira, muitos anos atrás.

Cheguei lá com dor de cabeça, o rosto congestionado,

uma sensação de gripe encostando, apetite nenhum.

A dona do hotel me convenceu a tomar um

prato de canja. Tomei dois. Dia seguinte era outra

pessoa, feliz e bem disposta.

 

A canja de galinha tem a felicidade de combinar

sabor e textura agradabilíssimos com uma poderosa

ação medicinal. É conhecida no mundo inteiro por

suas propriedades benéficas para adoentados e convalescentes.

Chegou ao Brasil com os marinheiros

portugueses que vinham da Ásia, ainda no século

XVI; daí ter virado um prato tradicional brasileiro.

 

Canja vem do kanji indiano e do congee chinês,

papas ralas de arroz longamente fervido. Na China a

pessoa acorda e vai à lanchonete comer congee. Escolhe

e coloca numa tigela pedacinhos de vegetais,

carnes, peixes e ovos, todos crus, que vão receber

por cima o caldo de arroz pelando que os deixa

semicozidos: fáceis de digerir, mas sem perda de

enzimas e vitaminas. Há muitas opções entre os complementos,

inclusive medicinais.

 

Nos mosteiros Zen o congee se chama okaio. O

arroz cozinha a noite inteira em fogo baixo e é servido

no desjejum, acompanhado por uma pequena

porção de verduras como repolho ou couve-chinesa,

refogadas em óleo de gergelim com um pouquinho

de shoyu. Gersal e salsa por cima. Um pedaço de

nabo em conserva é a sobremesa, e uma taça de chá

encerra o serviço. É comida suave, para ajudar a esvaziar

a mente.

 

O longo tempo de cozimento torna as papas de

arroz muito fáceis de digerir e absorver. Acalmam o

trato intestinal e limpam os rins. O leite de arroz, que

se obtém passando a papa na peneira, é uma bebida

deliciosa e altamente nutritiva. Pode ser dado na mamadeira

aos bebês já no início do desmame, após os

6 meses. Também é alimento ideal para pessoas muito

idosas, que segundo a medicina chinesa podem comer

papas o dia inteiro, a qualquer hora, para se

manterem fortes mas sem sobrecarga.

 

Buda, no Livro da Disciplina, enaltece os poderes

da papa de arroz, que comia com leite fresquinho

e mel: “Dá dez coisas aos que a comem – vida e

beleza, facilidade e força. Dissipa fome, sede e vento.

Limpa a bexiga. Digere a comida. É louvada pelo

bem-aventurado.”

 

A papa de arroz se faz com uma parte de arroz

integral ou branco e oito a dezesseis partes de água.

Lave o arroz e deixe de molho na véspera para

ir transformando os grãos. Panela grossa é importante.

Se não tiver, coloque uma chapa de ferro ou pedra

por baixo, ou um bom dispersor de calor. No

fogão: reduzir a chama ao mínimo assim que ferver e

cozinhar por três horas ou mais. No forno: em caçarola

tampada, por três ou quatro horas, também em

fogo baixo. Na panela elétrica slow cooker: 8 horas

na temperatura mínima.

 

Em caso de gripe ou resfriado, a canja de galinha

– arroz cozido longamente com uma galinha inteira

em bastante água – ajuda a vítima a melhorar

mais rápido porque é rica em cisteína, um aminoácido

que ajuda a expelir o muco dos pulmões. Mas tem

que ser galinha caipira, criada sem antibióticos nem

substâncias químicas, ou seja: comendo minhoca e

namorando o galo até ficar bem velhinha e generosa.

Quem se resfriou com frio ou vento pode tomar

a canja bem quente e apimentada, pois o calor e a

pimenta vão ajudar a mover os fluidos para fora e

expectorar. A pimenta-vermelha pode ser usada ao

natural, em conserva ou em pó, para um resultado

antibiótico, antiviral e altamente suadouro, que expulsa

o fator externo da gripe e faz a energia circular.

 

Já para fraqueza pós-parto, a canja deve ser muito

mais santa: começa com uma galinha inteira, fervida

até desmanchar. Coe, deixe esfriar, retire a gordura

com papel-toalha e reserve o caldo. Faça a papa normalmente

com arroz e água. Quando estiver quase

pronta, junte o caldo de galinha, cozinhe mais um

minuto e sirva.

 

Considerem-se com fraqueza pós-parto todos os

que assim o desejarem.


Texto da 4a capa:

Cozinhar proporciona a quem cozinha um tempo de profunda consciência e atenção a um fazer delicado, que exige sensibilidade. Água, fogo e tempo têm que ser bem dosados. As mãos são precisas e lúdicas no corte. O olhar comanda e observa os mais mínimos detalhes. O olfato trabalha como nunca, percebe pelo cheiro quando a alcachofra está bem cozida, o arroz chegou ao ponto, a compota de maçã ficou pronta. E um sexto sentido entra em ação na hora de escolher temperos. É como dançar, tocar um instrumento, escrever um poema, pintar um quadro. Pode ser meditação. Pode ser arte.

Texto das orelhas do livro, pelo astrólogo Fernando Fernandes

Até algum tempo atrás, os trabalhos sobre alimentação sempre eram tratados como obras técnicas, cheias de tabelas de nutrientes e notas de rodapé repletas de informações científicas. A grande contribuição de Sonia Hirsch foi a mudança de perspectiva. Em vez de tratar a alimentação exclusivamente como uma questão de saúde, coloca em primeiro plano a relação entre comida, prazer e criatividade. Pela primeira vez o foco saiu da dieta e incidiu sobre gente de carne e osso e suas complicadas motivações. A linguagem coloquial, o toque afetivo e a ênfase nas situações do cotidiano fazem a diferença. Não é por acaso que a CorreCotia ostenta um catálogo de 16 títulos, com mais de 300 mil exemplares vendidos. Alguns títulos já chegaram à 14ª edição, coisa rara no Brasil. Sonia não corresponde ao estereótipo acadêmico da especialista, sendo muito mais a divulgadora capaz de fazer com que o conhecimento técnico especializado se torne acessível a todos. Independente, autodidata, competente como administradora, franca e assertiva, essa jornalista-escritora construiu seu próprio nicho profissional e, graças ao estilo único, vem ajudando milhares de leitores a refletir sobre alimentação adequada e qualidade de vida.

Fernando Fernandes

www.constelar.com.br

fonte: mapateste de Sonia Hirsch

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Sobre a loja

Loja de livros da jornalista e escritora brasileira Sonia Hirsch sobre saúde e alimentação. Informação útil, confiável e gostosa de ler tem sido a especialidade de Sonia Hirsch desde 1983, quando publicou seu primeiro livro. Hoje são 21, sendo 17 em catálogo aqui. Confira as promoções.

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